
Aquela espera tornava-se insuportável, quase dolorosa.
O coração não parava de bater e os minutos pareciam teimar em não passar.
Ele chegava hoje.
Finalmente, iam poder olhar-se olhos nos olhos e deixar que os corpos dissessem todas as palavras escritas nos mails ou sussurradas ao telefone, em vãs tentativas de enganar as saudades que tinham um do outro e que cresciam a cada dia.
Olhou em redor. O quarto onde vivia de há seis meses para cá era simpático. De madeira (nunca mais se iria esquecer daquele cheiro), a ventoinha no tecto para amainar o calor que todos os dias se fazia sentir naquela terra onde agora tinha de viver, os estores de madeira que se projectavam em sombra riscada, as cortinas leves que ondulavam ao sabor da mais pequena brisa, a secretária a um canto, o candeeiro, o portátil, o armário com a porta sempre emperrada, a mesa onde tomava o pequeno almoço, a máquina de café, o pequeno frigorífico. A cama. Lençóis brancos. Também ela parecia esperá-lo.
Aprendera a gostar daquele quarto e de todas as suas manhas. Tal como lhe sucedera com ele, há um ano atrás. Aprendera-o com todas as suas manhas e, hoje, não sabem existir um sem o outro.
Sente passos no corredor.
O coração acelera. Descompassadamente.
Batem à porta. É ele.
Fecha os olhos e, em silêncio, sente o momento de felicidade que ficou a pairar com aquele ruído.
Abre os olhos e diz-lhe: "Entra", preparando-se para, finalmente, se sentir completa.